domingo, 1 de março de 2015

A FALSIDADE DA PEDRA DA GÁVEA E A POSSIBILIDADE INCA


Pedra da Gávea - Lendas e Mistérios - 16 min.

Programa Vida Inteligente - A Pedra da Gávea- 119 min.

A falsificação da história da Pedra da Gávea

 e porque Badezir não faz parte dela

Posted by luxcuritiba em novembro 5, 2011
Vista desde a Gávea para o mar, com um ipê amarelo (esquerda). Marcas na pedra como de retirada de rocha, perto da face (direita). (Clique na imagem para ampliar)
Estamos assistindo a uma farsa monumental a respeito da Pedra da Gávea faz 200 anos. Primeiro por falta de conhecimento especifico para interpretá-la e depois por interesses de determinadas pessoas que resolveram reescrever a historia do Brasil de maneira a dar mais peso a suas filosofias. E a farsa que é a lenda oficial do lugar, continua a ser repetida inúmeras vezes. E depois de tantos anos de acompanhar esta montanha não e possível aceitar a versão estabelecida. Está bem claro que há coisas a investigar, mas não tem nada a ver com o que foi dito ate agora, inclusive porque tudo foi elaborado 100 anos atrás e o conhecimento evoluiu.
O esclarecimento sobre o que seja realmente a Pedra da Gávea ainda está por vir. Ela é indubitavelmente um patrimônio, mesmo que seja apenas natural e temos que preservá-la como ela é. Para a maioria das pessoas tem sido mais fácil dizer que tudo o que vem suscitando nossa curiosidade na Pedra da Gávea é apenas obra da natureza. Explicações geológicas não são suficientes e para qualquer interessado no assunto, menos ainda. Há os que repetem como papagaios as lendas e a velha história sem fundamentos do túmulo do rei Badezir, ou a simplista explicação da erosão..
Freqüento a Pedra da Gávea faz 47 anos, dormi em cima 40 vezes em total subi 440 vezes, portanto não sou apenas um turista curioso. Minha formação é de arquitetura e trabalho, Há 40 anos nesta área, mas também em paisagismo, construção civil, restauração e preservação de monumentos históricos. Esclareço isto para justificar que tenho experiência razoável para fazer uma análise do lugar e espero que outras pessoas tenham interesse em esclarecer o assunto.

Pôr de sol na Gávea (esquerda). Marcas naturais mas que são similares às chamadas inscrições (direita). (Clique na imagem para ampliar)
Tenho ouvido as teorias mais estapafúrdias sobre a Pedra da Gávea. Existe um artigo que diz que Bernardo de Azevedo da Silva Ramos traduziu a “inscrição” da Pedra da Gávea em 1963 (!). Como? Ele faleceu em 1931.
A “tradução” foi feita em 1928.
Em 1841 o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro alem de interessado na Pedra da Gávea também andava interessado no esclarecimento do manuscrito de 1753, chamado de “manuscrito dos aventureiros”, que descrevia uma cidade perdida na Serra do Sincorá, Bahia. Na descrição, a cidade lembra uma cidade romana porque a entrada se faria por um grande arco ladeado de dois menores (exatamente o arco de Tito, em Roma) e inclusive financiou o cônego Benigno José de Carvalho e Cunha para que a procura-se. Nota-se claramente que havia um fervor de arqueologia clássica do mediterrâneo, inclusive por influencia do Imperador dom Pedro II, que era um estudioso.
A Pedra da Gávea que estava mais a mão e despertava muitas lendas ficou na mira. O padre Souto chegou a solicitar, em 1837,ao instituto Histórico e Geográfico Brasileiro a destruição da Pedra da Gávea, para acabar com as lendas do local. Estas são informações de Gerson Brasil em “Historia dos Subúrbios do Rio de Janeiro”. Curiosa essa fúria católica contra a Pedra da Gávea. Uma outra pedra, porém menor, já havia sido destruída pelo reverendo Souto, era a Pedra Santa (ou Pedra da Santa) no caminho do Jardim Botânico, na estrada que margeava a Lagoa Rodrigo de Freitas. Esta pedra parecia uma cabeça com um rosto virado para a lagoa. Robert Streatfield fez uma aquarela onde se pode ver claramente esta formação. Poucos sabem disso. Gerson Brasil não deve ter visto esta aquarela e por isso não dá a informação certa de onde ela ficava.
Seria este padre Souto o reverendo Manuel Gomes Souto, empossado com a criação da freguesia de São João Batista da Lagoa em 1809?Parece que não gostava que seus fiéis andassem com a cabeça em mistérios da terra nativa, só os do Vaticano eram válidos.








Vista desde a Gávea ao mar (esquerda). Vista do famoso paredão das inscrições (direita). Seriam aquelas marcas que horizontalmente sobem da esquerda para a direita. Fazendo zoom pode-se analisar melhor. (Clique na imagem para ampliar)
Me pergunto se com essa atitude não se chegou a estimular a destruição de algo que pudesse ter havido no topo da Pedra da Gávea.É mais que evidente que a Pedra da Gávea foi subida por muita gente nos séculos passados, principalmente quando havia alguma ameaça,como foi o caso das invasões francesas no século XVIII. Desde seu topo pode-se ver o horizonte ate uns 100 km de distancia, principalmente o mar. Conseqüentemente devem ter mexido ou destruído eventuais vestígios de passagens anteriores, quem sabe de quem. Todo seu topo deve ter sido remexido, ao menos superficialmente, e a sucessão de gerações de árvores crescendo e morrendo devem ter destruído mais ainda, qualquer vestígio mais evidente.
Existe um relatório do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em que conta que uma comissão deste Instituto se deslocou para copiar a inscrição. Este relatório tem a data de 23 de maio de1839. Repare que eles foram em maio, que é a melhor época para ver a “inscrição”. Ou escolheram a época menos quente e de melhor visibilidade, e acertaram. Tenho quase certeza que eles fizeram as observações desde a atual Villa Riso. Porque com certeza, um grupo de senhores citadinos não iria internar-se nas matas de onde não veriam nada e nessa fazenda devem ter tido o apóio e conforto necessários para analisar as marcas no paredão. Esta fazenda pertenceu ao conselheiro Antonio Ferreira Vianna e era chamada de São José da Alagoinha da Gávea.
Toda essa trama da inscrição fenícia pode ter sido arquitetada ou forçada, ainda que subconscientemente, com certeza nessa fazenda, porque até Dom Pedro II, frei Custodio (que era conhecedor de línguas antigas) e o historiador João Capistrano Abreu, freqüentavam o lugar. Quem conhece Vila Riso sabe que a vista da Pedra da Gávea desse ângulo é magnífica. Além de que aproximando-se muito da Pedra, perde-se o ângulo de baixo para cima.
E para tirar definitivamente suas dúvidas tentem identificar a olho nu os caracteres da chamada inscrição, se puderem. De binóculo não vale. Fenícios não tinham binóculos. Tem quem dize que os traços têm 14m de altura, não tem, sua altura é de mais ou menos 3m.
A historia da tradução da ”inscrição” está cheia de dúvidas. Mas chegou em uma hora em que o Brasil estava no meio do redemoinho do estado novo comunismo, nazismo e fascismo todos eles exaltando valores nacionais e isso acontecia no mundo inteiro.
Por aqui tínhamos a versão brasileira desses nacionalismos que era o integralismo. Um fato como uma origem nobre e de grande ancestralidade para a historia do país não ia ser deixado sem ser usado por setores interessados em levantar o sentimento nacionalista. Mas havia interesses sectários também.








Uma bromélia (gravatá), típica do local, gênero alcantarea (esquerda). Vista da entrada da baía de Guanabara com o perfil da face da Gávea à direita (direita). (Clique na imagem para ampliar)
No inicio do século XX, Henrique José de Souza ex-empresário que foi muito prejudicado pela primeira guerra mundial, porque fazia muitos negócios com a Europa, teve que dissolver suas empresas desenvolveu outros interesses.
Passou a dedicar-se ao estudo de filosofias orientais, fez viagens pelo mundo todo, incluindo a Índia e o Tibet. Nessa época também estavam em moda os ensinamentos da teosofia européia através de madame Blavatski. Elena Blavatski e outros ocultistas influenciaram bastante o nazismo.
Seguindo a tendência de valorização da cultura nacional, o professor criou em 1924, a sociedade chamada de Dharana, em Niterói que mais tarde se tornou a Sociedade Teosófica Brasileira e depois a Sociedade Brasileira de Eubiose que existe até hoje.
A Teosofia mistura crenças católicas com conhecimento oculto, budismo, esoterismo e com uma visão de Brasil grande, etc. e o resultado é uma salada espiritual, filosófica e ate política.
E é preciso entender que dentro de uma formação católica conservadora como deve ter sido a do professor, sempre vão ficar convicções básicas arraigadas, apesar de evoluir para as religiões orientais ou filosofias esotéricas. A partir daí forma-se uma nova corrente filosófica com todas as contradições dos componentes originais.
Nossos povos de toda a América latina são excessivamente místicos e querem soluções caídas do céu e se não caem, eles imploram. Na verdade em todo o mundo as coisas são mais ou menos desse jeito. É o acreditar em vez de saber. É melhor saber um pouco do que acreditar muito. E com relação à Pedra da Gávea se tem acreditado muito e sabido pouco.
Mas como se chegou a essa tradução tão difundida da duvidosa inscrição do paredão leste?
Bernardo de Azevedo da Silva Ramos não foi nenhum Champollion brasileiro. Champollion teve em mãos uma laje de pedra que estava escrita em três grafias: hierático (grafia dos hieroglíficos), demótico (grafia popular do antigo Egito), e grego antigo as duas últimas grafias eram conhecidas e ele foi destrinchando as palavras em hieróglifos, teve muita sorte, por ter a pedra de Rosseta nas mãos, e o que ele fez foi uma tradução fundamentada em um texto real existente. Também há que agradecer a invasão do Egito por Napoleão.
No caso de Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, ele interpretou os caracteres que haviam sido copiados a respeito de todo o problema de copiar a ”inscrição” com variáveis como sombras e luz rasante, quem sabe como e em que momento. Marcas deste tipo mudam de acordo com a incidência dos raios do sol. Em um momento você julga estar vendo uma letra e depois já não é a mesma. Portanto não pode ter havido nenhuma exatidão nos contornos das letras. Bernardo tinha o hábito de interpretar qualquer marca numa pedra como sendo letras de algum alfabeto, as vezes não se importando nem com a ordem. E tem um detalhe importantíssimo. Que diabo de inscrição é essa que só pode ser lida de binóculo?
As pessoas no afã e entusiasmo de concluir uma pesquisa se deixam levar por fatos duvidosos. Bernardo traduziu o que lhe deram. Ou seja, a copia da “inscrição” feita pela comissão 100 anos antes. Bernardo nunca foi ate o topo da Pedra da Gávea, pois se tivesse ido perceberia mesmo num ângulo ruim que aquelas marcas são apenas caneluras verticais do desgaste natural da rocha. E só ver as interpretações da inscrição, que se nota que os traços verticais são muito maiores que os horizontais. No livro de Bernardo a ”inscrição” está mais endireitada do que realmente é. E se formos tentar identificar caracteres de direita à esquerda como seria em linguagem púnica, piorou porque esta parte dos traços está mais desalinhada e apagada. Falando francamente, foi muita imaginação. E ainda encontrar os nomes de Badezir, Jetball, Fenícia e Tiro associados?! Houve algo muito estranho. Más o nome ”Fenícia“ ou “Foenisian“, como literalmente ele traduziu, lança uma grandíssima dúvida sobre a exatidão do que de fato existiria “gravado na rocha”.
Mas qualquer um que veja uma estela com um texto fenício autêntico vai perceber que é preciso muita imaginação para dizer quais seriam as letras da inscrição da Pedra da Gávea. Bernardo fez sua tradução em 1928. Ele nasceu em 12 de novembro de 1858 e faleceu em 5 de fevereiro de 1931. Finalmente Bernardo chegou a sua interpretação da inscrição: Tiro Fenícia, Badezir primogênito de Jethball.
Mas o maior argumento contra esta inscrição é de que os fenícios não chamavam seu país de Fenícia e sim de Cannan. Só isso põe em duvida toda a tradução. Quem os chamava de fenícios, eram os gregos. A única possibilidade a favor da legitimidade da inscrição e de que um grego tivesse supervisionado a execução da “inscrição” o que já é forçar muito as coisas, e que seria absurdo.
A cópia dessa inscrição teve que ser feita de telescópio desde São Conrado, para poder dar o detalhe, principalmente dos traços horizontais que são mínimos, se bem os traços verticais tem 2m de altura mais ou menos. Na verdade, só poderia ser ”lida” por quem tivesse binóculos. Nem fenícios nem vikings tinham binóculos, eu acho. E se for desde o topo da montanha não da para ler nada..
A copia da inscrição que aparece no livro de Bernardo e em todos os sites da internet não passa de uma fantasia interpretativa feita pela comissão do IHGB em 1839. Como é que se continua a divulgar essa bobagem?
Mesmo assim o professor Henrique José de Souza resolveu adaptar a tradução de Bernardo da Silva Ramos sobre a inscrição da Pedra da Gávea.
Foi exatamente nesse ponto que confundiram ainda mais o problema da Pedra da Gávea. E a reorganizou na seguinte ordem: “Tiro Fenícia Jetbaal primogênito de Badezir”
O professor também ignorou que os fenícios se auto denominavam cananeus ou mais apropriadamente “canani” ou “cunani” ou ”cnani”, e que Fenícia seria ”Canan”.
Disseram que ela se referia a Jetball como filho de Badezir e não ao contrário e que ele tinha uma irmã gêmea Jetball-bel. De onde tiraram isso, não sei.
Esse tipo de informação seria quase impossível de conseguir. Se Bernardo já estava imaginando mais do que devia, quando interpretou a ”inscrição”, como poderia o professor Henrique José de Souza querer melhorar a tradução? E é preciso fazer mais uma pergunta.
Porque Bernardo só se interessou em fazer a ”tradução da inscrição” em 1928, quando já tinha 70 anos,se ele já a conhecia desde criança?
Provavelmente porque sabia que aquilo não era nada. Provavelmente foi “empurrado” a fazer aquela tradução, quem sabe por que motivos.
E há mais coisas suspeitas nesse interesse da Teosófica com a falsa inscrição fenícia. Dizem que Badezir vem de Baal zir, e que zir significa senhor (me desculpem, mas ”sir“ pode significar senhor nas línguas anglo saxônicas, mas em linguagem púnica senhor é mlk). Dizem que Badezir significa deus maior e trocando Bad por Baal teríamos Baalzir que depois por corruptela passou a Baalzil e posteriormente a Brasil (!?).
É forçar muito, e sem base. Aqueles que insistem e atribuir aqueles buracos da “inscrição“ aos fenícios deveriam consultar durante alguns anos, livros e assuntos específicos sobre a civilização púnica, para ter alguma informação mais precisa.
O rei Badezir ou melhor, Baldozor, como a ele se referem Flávio Josefo e Menandro de Éfeso, não foi nenhuma figura exponencial na história da Fenícia, e muito menos fazia parte de elite espiritual como a Teosofia divulga. Fazia parte de uma linhagem de sacerdotes e reis assassinos e assassinados constantemente,na luta pelo poder.
É muito possível que a Sociedade Brasileira de Eubiose pretende-se ter um patrono ancestral como a maçonaria tem Hiram Abiff,o arquiteto (que se confunde com o nome do rei de Tiro na ocasião) e que foi o arquiteto do templo de Salomão, e o grande pedreiro. Não esqueçamos que as lojas Maçônicas em principio procuram ter uma entrada no modelo do templo de Salomão (pórtico com duas colunas,chamadas Joaquim e Boaz) esse modelo de portada era também o modelo dos templos fenícios.
Podem ter tido a idéia de que Badezir seria um similar para a Teosófica do professor Henrique José de Souza, dando a ancestralidade que interessava.
Já dá para entender porque a Teosófica se baseou em uma referência histórica escassa como a de Badezir. Provavelmente para reforçar e dar legitimidade e ancestralidade nobre e monárquica ao Brasil. Ficaria explicado o interesse da Teosofia na ”boa tradução da inscrição”.
Pareceria que tanto Bernardo como o professor eram monarquistas, ao menos nasceram num Brasil monárquico. O curioso é que Bernardo de Azevedo da Silva Ramos foi um dos fundadores do Clube Republicano em Manaus.
Badezir é colocado como uma figura altamente evoluída e que teria vindo ao Brasil com uma grande missão espiritual. A verdade sobre Badezir, cujo nome foi grafado erradamente. (porque ele nunca foi chamado de Badezir) é outra.
E é muito provável que no fundo queriam achar algo mais, no passado brasileiro, do que simples indígenas. Foram ignorados contextos culturais religiosos e históricos.
Na história da Teosófica, Badezir é deposto por um movimento republicano. Isso não é verdade nem tem fundamento porque continuou a haver reis em Tiro depois de Badezir que foi sucedido por seu filho Mattan, que reinou de 853 a 821 a.C. e que foi sucedido pelo rei Pigmalião que reinou de 821 a 774 A.C.
O que provavelmente desestabilizou o governo de Badezir, se é que aconteceu, foi a pressão assíria e o fato dele ser filho de um usurpador,Jetbaal, sacerdote de Astarté, que tomou o trono assassinando Phales, que era o último da dinastia de Hiram, o grande, amigo de Salomão.
Na verdade ninguém disse que Badezir foi deposto e pelo que Flavio Josefo diz, ele pode apenas ter reinado 6 anos porque morreu com 45 anos.
Mas chega a ser irônico que a Irmã de Badezir, Jezabel é vista por outros setores religiosos como um espírito demoníaco, o que e um pouco ridículo, ela foi uma rainha de seu tempo. Governar é uma tarefa penosa, principalmente num país estrangeiro e de religião diferente das crenças dela. Ela sobreviveu a Achab, rei de Israel, mais quatorze anos se Badezir morreu com 45 anos ela deve ter vivido ate, mais ou menos os 60 anos. Considerando que Badezir e Jezabel tivessem idades próximas, como irmãos que eram.
Badezir, como rei e filho de um sacerdote de Astarte que assassinou o rei Phales e assumiu o trono, e totalmente cercado pelo clero de sacerdotes de Baal e Astarte, devia seguir à risca seus preceitos. Que não eram muito civilizados para um espiritualista zen da nossa época. Badezir deve ter participado e assistido a muitos sacrifícios de crianças nas chamas dos templos. Pois era pratica normal. E um rei não poderia fugir disso. Portanto pretender outros tipos de religiosidade para ele, é uma ingenuidade.
A Teosofia diz ainda que Badezir fundou a cidade de Niterói e que o nome original era Nish tao ram. Provavelmente para, de novo,dar ancestralidade à cidade onde foi fundada a Daharana, a primeira loja da Sociedade Brasileira de Eubiose.
Divulgam-se informações, não sei com que fundamento, de que em Niterói foram achadas tumbas fenícias (!?). Não é verdade, se alguém tivesse achado algo parecido haveria mais detalhes e o assunto teria tido mais repercussão. E quem é capaz de reconhecer uma tumba fenícia ou não?
Muita gente que anda com os fenícios na ponta da língua,não sabe nada a respeito deles. E no século passado pior ainda.
Envolveram a Pedra da Gávea num mar de fantasias que e deturpou a legitima interpretação do lugar. E por ignorância muitos continuam repetindo coisas sem fundamento. E a maioria dos sites na internet divulgam a informação errada de que Bernardo de Azevedo da Silva Ramos fez a tradução em 1963! Foi em 1928.
Mas está bastante claro que para a Teosofia a deposição e exílio do rei Badezir seria a chave para o que se pretendia.
Queiram ou,não cheira a magoa, pela deposição de Dom Pedro II. Que a mim também me parece que foi indevida, considerando o que veio depois.
Porque não disseram que foi o rei Luli, (outro rei de Tiro que fugiu de verdade) que veio para o Brasil? Evidentemente porque o Brasil não se chama “Lulil”, ou algo parecido, más Badezir, podia ser adaptado até chegar ao nome de Brasil.
Continuar a repetir essa versão para a Pedra da Gávea é um acinte a historia do Rio de Janeiro. E se a Teosófica teve outros motivos para divulgar essa versão, não importa, continua a ser uma falsa versão da historia do Brasil. E que nenhum historiador ou arqueólogo sério aceita.
O historiador que falou do período de Badezir e da linhagem dos reis de Tiro foi Flávio Josefo que escreveu “Historia dos Hebreus” e conta algumas coisas de seus vizinhos fenícios. Esse livro tem 1600 páginas e pode ser consultado pela internet. Mas muitos nomes são diferentes dos que nos conhecemos. Flavio Josefo conta parte deste período da historia assim:
“Morrendo o rei Hirão (Hiram), sucedeu-lhe seu filho Beleazar (Baalazar). Morreu na idade de quarenta e três anos,depois de ter reinado sete. Abdastrate, seu filho, sucedeu-lhe e só viveu vinte e nove anos, dos quais reinou nove. Os quatro filhos de sua ama mataram-no à traição, e o mais velho reinou doze anos em seu lugar, Astarte, filho de Beleazar, reinou durante doze anos depois de ter vivido cinqüenta e quatro. Aserino, seu irmão,sucedeu-lhe, viveu cinqüenta e quatro anos e reinou nove. Felete (Phales), seu irmão, assassinou-o, usurpou o trono, viveu cinqüenta anos, mas só reinou oito meses. Itobal (Jetbaal,) sacerdote da deusa Astartéia, matou-o, reinou em seu lugar durante trinta e dois anos e morreu com sessenta e oito anos. Baldozor (Badezir), seu filho, sucedeu-o, viveu quarenta e cinco anos e reinou seis. Madgem (Mattan), seu filho, sucede-o, viveu trinta e dois anos e reinou nove. Pigmalião sucedeu-o e viveu cinqüenta e seis anos, dos quais reinou quarenta e sete e foi no sétimo ano de seu reinado que Dido, sua irmã, fugiu para a África, onde construiu Cartago na Libia.”
Como vemos os ares do palácio real de Tiro não eram muito saudáveis e às vezes além do vento fresco do mar, também vinha uma punhalada. É claro que é preciso descontar o fato de que viver menos nessa época era normal. Mas a coisa andava no jeito do, “escreveu, não leu, o pau comeu“. E em muitas ocasiões era melhor ”cair fora“
Elisa ou Dido, a fundadora de Cartago que era neta de Badezir, fugiu de Tiro porque seu marido havia sido morto por seu irmão Pigmalião, o próprio rei. Autores romanos contam que o marido de Elisa se chamava Siqueu, outros o chamam de Acerbas ou Sicharbas, era sacerdote e um homem riquíssimo, que despertou a cobiça de Pigmalião.
Era normal não durar muito no trono de Tiro, e não parece que haviam tão elevados sentimentos espirituais, como a Teosofia atribui a Badezir. Não consta que alguém tenha dito que ele era uma exceção. Lembremos que sua irmã Jezabel não era um “doce de pessoa”, pelo menos na descrição de autores judeus, que não gostavam dela por cultuar deuses fenícios. E a descrevem como de alguma crueldade. Badezir dificilmente seria muito diferente. Com certeza era um homem do seu tempo e de sua cultura.
Voltando ao trecho onde Flavio Josefo diz: “Baldozor (Badezir) viveu quarenta e cinco anos e reinou seis”. Se ele soube quantos anos viveu Badezir, está claro que Badezir não desapareceu do Mediterrâneo e veio para o Brasil porque nesse caso Flávio Josefo não ia saber mais nada dele e nem quantos anos viveu. E nem tampouco há alguma referencia de ele ter sido deposto.
Mas o fim do reinado de Badezir (853 A..C.) coincide com a batalha de Karkar, onde uma coligação de estados cananitas enfrentou Salmanasar III, da Assíria. Nessa batalha morreu o rei de Israel, Achab, que era casado com Jezabel, irmã de Badezir.
Badezir deve ter apoiado com um pequeno contingente militar seu cunhado assim como outros reis cananeus e fenícios fizeram. Na descrição feita na estela Kurkh, por Salmanasar III, se descrevem os contingentes da coalizão contra ele. Mas os nomes estão na versão assíria e alguns são difíceis de identificar com os que conhecemos. Também não da para identificar nenhum contingente militar de Tiro.
Alguns reinos só participaram com 200 ou 500 soldados.É evidente que os reinos que estavam mais ameaçados pela proximidade dos assírios participaram mais. Foi o caso de Aradus, que iria ser o primeiro a ser engolido por Salmanasar III.
Se Tiro participou foi com efetivo similar. Alguns cronistas levantaram a dúvida se Josafat, rei de Judá lutou integrado ao exercito de Israel comandado por Achab. A dúvida e levantada porque na estela de Kurkh, Salmanasar III fala que combateu 12 reis mas só faz a descrição de 11, com suas respectivas tropas. Mas a Bíblia conta claramente que Josafat estava presente. Nessa versão os assírios são chamados de arameus.
Alguns acham que o numero 12 é apenas simbólico, não podendo ser base para tirar conclusões. Mas com certeza a maioria dos reinos cananeus sabiam que essa batalha poderia ser decisiva porque a Assíria ameaçava todos eles.
Mas poderíamos levantar outra hipótese. Dada a vinculação política e familiar entre as casas reais de Tiro e Israel, na ocasião, poderíamos pensar que o contingente militar tírio, se houve, poderia estaria contabilizado e integrado ao grosso da tropa de Israel. E se esse contingente era considerável, Badezir poderia estar à frente dele.
Eventualmente poderia ter sido morto em combate ou ter sido ferido e falecido depois,sem que isso tenha sido relatado, ou se foi, estaria nos arquivos perdidos em Tiro.
Mas também devemos levar em conta que os tírios eram melhores marinheiros que soldados e com certeza não dispunham de forças militares terrestres consideráveis.
O fato é que seu reinado cessou nesse ano e seu filho Mattan assumiu o trono com 23 anos. Por quê? Se seu filho assumiu o trono esta bem claro que não havia nenhum ressentimento interno contra ele.
Na falta de referencias, que se devem ter se perdido com os arquivos reais de Tiro, fica difícil fazer mais especulações.
Com certeza a partir daí as coisas desandaram para Badezir. Mas porque esse ano coincide com a data do fim de seu reinado? Morreu? Não sabemos.O reinado de Achab acabou ali.Será que Badezir participou da batalha e também morreu nessa ocasião?
Sabemos que Achab lutou nessa batalha disfarçado e incógnito, porque sabia que seria visado pelo inimigo, e foi ferido na junção lateral da armadura por uma flecha lançada ao acaso. Conta-se que pediu ao cocheiro do seu carro que o retira-se do campo, mas a batalha estava tão renhida que não foi possível retira-lo ate a noite e acabou morrendo por perda de sangue. Se Badezir estava perto de Achab, as coisas não devem ter sido fáceis para ele. O resultado dessa batalha não está muito claro. Apesar de Salmanasar III cantar vitória.
O fato de Badezir só ter reinado seis anos não diz nada de especial porque a maioria de seus antecessores reinaram também curtos períodos. Na lenda da Teosofia Badezir era viúvo. Que diferença faria? Cabe a pergunta: Viúvo de quem?
Esses reis tinham mais de uma esposa. Salomão, que o antecedeu 150 anos tinha 300, fora as 700 concubinas. Dá para imaginar como deveria sofrer Salomão quando as 1000 mulheres saiam para fazer compras. E dá para desconfiar porque de 3 em 3 anos precisava mandar uma expedição para Ofir trazer recursos.
Creio que já temos dados para acabar com qualquer especulação a respeito da vinda de Badezir ao Brasil em ”missão espiritual”. Continuar a dizer isso é falta de seriedade. Essa versão pode ter sido suficiente para o público de meados do século passado, mas é ingênua para o público atual, medianamente informado.
Mas seria interessante pesquisar autores antigos sobre algum dado mais sobre Badezir pelo menos por respeito, já que seu nome foi usado em vão. No livro História dos Hebreus só há uma única citação do nome dele. E evidente que seu nome não era Badezir simplesmente. Parece-me que como Menandro e Flavio Josefo o citam como Baldozor, isso me soa como o nome atual Baltazar. Os fenícios nem sempre escreviam as vogais, e por isso os nomes posteriormente foram sendo usados de várias maneiras. O que pude saber é que Baltazar significa “Baal proteja o rei”. É provável que o nome mais aproximado seria Baaltzor, mas que eles escreveriam: BLTZR. O problema é que quando um autor escrevesse em grego já seria diferente e assim com tantas outras grafias.Parece-me que a tradução mais apropriada do nome seja ”protegido de Baal”, apenas. Não vejo a palavra rei no nome.
Pelo pouco que sei haveria a hipótese que o nome venha de Baal e tzor ou tzur,que quer dizer fortaleza. Provavelmente “Protegido de Baal“ é o correto Mas a pesquisa já se torna complicada para quem não é erudito em línguas semitas,e eu não sou.
Na verdade sinto-me na obrigação de esclarecer a vida desse homem tão usado,sem que ele pudesse desconfiar.
Mas por honestidade precisamos fazer uma ressalva. Flavio Josefo viveu e escreveu entre 38 a.C. e 100 d.C. Portanto 8oo anos depois do período de Badezir, e se baseou em fontes que podiam estar erradas, ou não totalmente certas. Portanto devemos admitir que sempre existirá uma possibilidade de que seus dados não sejam exatamente aqueles que citou.Más Flavio devia ter boas informações porque ele pertencia a uma linhagem de sacerdotes e reis judeus.
Flávio Josefo se baseou nas cartas de Menandro de Éfeso escritor grego do ano 300 A.C.
Na época de Menandro ainda existiam nos arquivos de Tiro cartas da época de Hiram e Salomão e conseqüentemente dados sobre os reis posteriores.
Sabemos que Jetbaal, também citado como, Ithoball ou, Ethball reinou em 891 ate 859 a.C. Jetball teve dois filhos bem conhecidos por nós,mas é de supor que tenha tido outros. Eram esses filhos famosos Badezir e Jezabel que casou com Achab rei de Israel de 875 a.C. a 853 A.C., nesse momento as casas reais de Tiro e Israel estavam unidas por esse casamento. Os dois reinados acabaram, em 853 a.C. Salmanasar III, rei da Assíria estava espremendo a Fenícia, Israel e Judá.
Quem assumiu o trono de Tiro foi Mattan que certamente era filho de Badezir reinando de 853 a 821 a.C. Nesse período houve uma série de assassinatos de reis de Israel, Jorão de Israel, Azias de Judá e Jezabel foram assassinados por Jehu que usurpou o trono de Israel.
Attalia, outra rainha de Judá foi assassinada. por Joiada em 837 A.C., que era sacerdote e entregou o trono a Joas de apenas 8 anos. Enquanto isso acontecia, o rei de Aradus, outra cidade fenícia, era derrotado em batalha campal por Salmanasar III, rei da Assíria.
Citei todos os fatos acima para que fique claro, qual era o contexto político e ético no qual Badezir estava inserido.Fica claro que Badezir estava enfronhado ate o pescoço com problemas do Oriente Médio e dificilmente deve ter sabido ou pensado algo a respeito do Brasil, e muito menos vindo para aqui.
Alguns anos depois outro rei de Tiro, Luli quis enfrentar também os assírios,foi cercado algumas vezes na ilha que era a cidade de Tiro mas finalmente teve que fugir as pressas para Chipre em 701 A.C.. Existe um relevo No palácio de Senaqueribe em Nínive que mostra a fuga de Luli. Luli era rei,e portanto Tiro continuava a ser um reino,e não uma república como a versão da Teosófica diz.
E é aqui que a historia nos interessa. Luli fugiu com sua corte para Chipre, são 200 km, ali com certeza lhe dariam abrigo.
Porque Badezir deposto iria viajar, no mínimo 8000 km para vir para o Brasil, sem conforto algum, numa terra completamente selvagem? Essa viagem seria uma loucura. Teria que ter passado por todo o Mediterrâneo, onde havia dezenas de bons lugares para ficar, chegado a Gibraltar costeado a África até o Senegal e então cruzar o Atlântico, atingindo a costa brasileira, seguir costeando ate chegar ao Rio de Janeiro. Uma viagem dessas seria possível e justificada para um grupo de comerciantes aventureiros, mas para uma comitiva de nobres seria um castigo indizível. Um navio fenício fazia 100 km por dia e então aportava em algum local. Considerando que sempre há contratempos, a viagem levaria uns três meses,mesmo que na travessia do atlântico obrigatoriamente navegassem, inclusive de noite.
Condições técnicas para uma viagem destas os fenícios tinham, marinheiros experientes e conhecimentos exaustivos de navegação, também. Com relação a barcos capazes de atravessar o Oceano, há muita coisa pouco divulgada com relação a tamanho, qualidade e tecnologia dos barcos antigos. Não se pode julgar a capacidade deles por parâmetros modernos. Em outro texto aprofundo este tema.
Que os fenícios possam ter estado no Brasil, é bem provável. Mas Badezir, com certeza não. Ele tinha problemas suficientes na Fenícia e que provavelmente o levou a morte. E se os fenícios andaram por aqui, com certeza conheceram e estiveram na Pedra da Gávea. Era comum eles fazerem santuários em cima de montanhas, mas sem grandes construções, as vezes sem nenhuma. Mas se estiveram por aqui não iam perder tempo fazendo esfinges ou monumentos, porque não era o objetivo deles.
E o pior é que o clima de fantasia e falta de seriedade contaminou o assunto Pedra da Gávea. A partir daí qualquer cientifico mesmo o mais ousado se afastou do assunto. Se algum objeto que se relacione com fenícios for achado na área a primeira coisa que vão pensar, e que é uma fraude, ainda que não seja.
Quer dizer que a Pedra da Gávea não tem mistério algum? Tem sim, e são vários.
Olhei, estive em frente e vi mais de 400 vezes a cara no paredão. É uma cara, mal feita, é tosca, mas é uma cara. Olhem-na bem, de baixo e de lado e do outro lado, e não apenas de frente. Queriam o que? que estivesse assinada?
E foi encaixada exatamente no lugar certo para complementar uma cabeça, que provavelmente era natural. E está na posição exata para ser iluminada pelo sol em qualquer época do ano, seu lado direito é muito mais definido que o esquerdo (Lado do nascente). Quem fez? Os tamoios provavelmente não. Mas eles chamavam a Pedra da Gávea de “cabeça enfeitada”, Metaracanga, que vem de Metara que era o botoque de enfeite usado no lábio inferior e Canga significa cabeça. Parece que também se referiam a Pedra da Gávea como ”cabeça de um deus“. Alguma coisa eles sabiam ou tinham ouvido.
E o portal? Também olhei, estive em frente e vi,mais de 400 vezes. Parece um portal, mas pode ser um nicho usado para oferendas e rituais, seja ele natural ou não. É quase certo que não há nenhum túnel atrás dele. Mas como sempre se pode estar enganado, deixemos alguma probabilidade em aberto.
E cabe levantar uma suspeita. Tanto a face quanto o portal podem ter sido inicio de obras inacabadas.O que viria ao encontro de outros fatos, tais como seria o caso de uma expedição fracassada ou abortada ou que não teve continuidade. Nota-se no desgaste da superfície da rocha que compõe a face,uma cor mais clara que o resto da montanha o que daria a entender que essa superfície não foi exposta a tanto tempo assim. Por outro lado os tamoios que aqui viviam não eram gente fácil de tratar e podem ter criado muitos problemas a quem quer que fosse fazer alguma coisa por aqui.
Mas às vezes as coisas, não são, mas parecem, e acabam sendo usadas como se fossem, o que cria um ponto de culto religioso.E o que quer dizer isso? Quer dizer que devemos primeiramente procurar semelhanças com locais próximos.
Caras monumentais na montanha com o mesmo tamanho temos em Ollantay tambo, Peru (Veja a cara de Tunupa). Portais no paredão da montanha temos vários no Peru. Mas o mais significativo e o de Hayu Marca em Puno ou o portal de Amaru Muru que é metade do tamanho do portal da Gávea (que pode ate ser natural, por desprendimento de um bloco)
E deixo uma pergunta mais. Tupã e Tunupa (deus supremo no Peru) poderiam ter a mesma origem fonética?
Ambos eram divindades associadas ao raio e trovão.E as caras e os portais tanto aqui como no Peru poderiam ter um mesmo simbolismo religioso? Contatos eventuais? Origem comum?
E como uma especulação muito improvável poderíamos deixar no ar a possibilidade de que, sim,os fenícios tenham iniciado um monumento na Pedra da Gávea, que não foi acabado. E de fato a montanha sugere um touro alado da Assíria, imagem usada no Oriente Médio para dar a idéia de grande poder. Mas isso vai contra toda a tradição deles, porque nunca fizeram um monumento desse tamanho na Fenícia. Seria um fato anômalo.
Porem sem escavações que nos possam dar utensílios para identificar qual foi a presença, e de quem, não podemos dizer muita coisa.
Arquiteto Carlos Perez Gomar
Agosto 2011


Para entender o sentido deste texto é preciso conhecer certos monumentos no Peru. No mínimo a face de Wiracocha em Ollaytaytambo e o Portal de Hayumarca, entre outros.
Ollantay Tambo (Clique para ampliar a imagem)






Pode parecer uma idéia extremamente ousada, mas depois de descartar a batida hipótese dos fenícios do rei Badezir, pode não ser. Na realidade seriam duas hipóteses. Uma, os fenícios como visitantes destas plagas, coisa bastante viável. Mas a segunda hipótese,do rei Badezir é muito mal fundamentada, alem de ser desmentida por testemunho de autores antigos.
E o que também esta baseada num fato totalmente falso, como é o caso da “inscrição”, no paredão leste, que nunca foi inscrição, e que passou como tal porque nenhum dos que se envolveram com ela esteve no local, ou a viu de perto.
E vamos descartar outras hipóteses que já foram levantadas com total desconhecimento de contextos culturais e cronologias.
A hipótese inca apesar de parecer excessivamente ousada, não é. Desde que a premissa de que a face da Pedra da Gávea e a Íbis do Pão de Açúcar sejam obras humanas, esteja certa. Esses dois prováveis monumentos,se foram feitos, como parece, aproveitaram superfícies que já os insinuavam. Parece descabida a hipótese de atribuir sua forma a um trabalho total na montanha, que seria um pouco fora da lógica.
Face da Gávea (Clique para ampliar a imagem)





Seguindo um raciocínio possível, por proximidade e semelhança, a hipótese de uma origem andina para face da Pedra da Gávea é a mais provável, por incrível que pareça. E se excluirmos essa hipótese a seguinte,com certeza, seria a de que aquilo é natural. E algumas pessoas que não conhecem nem observaram a face da Pedra da Gávea o suficiente afirmam que é apenas natural.E para dizer que é ou não é obra humana é preciso ter estado no local, observar e refletir sobre detalhes que só serão percebidos aos poucos. O leigo não tem capacidade de opinar objetivamente sobre o assunto, por não ter feito as observações necessárias. Também poderia dizer que se a montanha sugeria uma cabeça, já naturalmente, sem interferência humana e alguém colocou um esboço de face no lugar certo e preciso, isto denota inteligência. Seria muito diferente que se em vez de uma face naquele lugar Houvesse algo parecido a dois glúteos ou outra parte anatômica.Nesse caso estou de acordo que aquilo não seria nada.Creio que fui bem claro.
O que muitos não percebem é que um trabalho em pedra com 80m de extensão, não pode ser visualizado nem assimilado na sua forma total olhando de um ângulo apenas. E muito menos de longe.E e se considerarmos o jogo de luz e sombra variável ao longo do dia, sua forma muda muito. Se excluirmos as sombras não vamos ver muito, considerando que o relevo desta face não é muito grande. E como a maioria das pessoas não tem muito conhecimento deste monumento nem muito senso de detalhe,volume e forma, tendem a descartá-lo como algo feito por mão humana.A falta de detalhamento sofisticado também decepciona o leigo, que acaba comparando-o à esfinge de Gizé.,o que é absurdo. Vêm esfinges, sarcófagos e coisas que demonstram a colonização intelectual causada pela arqueologia clássica.
Que olhando de longe, desde São Conrado a Pedra da Gávea lembra um touro alado da Assíria estou de acordo. Mas devemos primeiro procurar soluções mais próximas.
As peças desse quebra–cabeças parecem se encaixar muito bem, ao menos para mim que venho estudando o assunto há muito tempo.Tudo foi tomando forma devagar. E já neste momento não vejo outra hipótese mais viável. Ainda que possamos sentir ou pareça ter algumas falhas. E que pode também estar errada.
O que me surpreende e que esta hipótese não tenha sido levantada anteriormente. Atribuo isso à pouca divulgação da pré história sul americana tanto no ensino como na população em geral. Me lembro que no ginásio comecei a estudar história de America, o que para mim era interessantíssimo. Mas para a maioria da sala era uma chatice. Mas pré historia sul americana era difícil ate de ouvir falar. E os livros que circulavam e que despertavam maior interesse eram os de idealistas porem pouco fundamentados em fatos comprovados, com os de Marcel Homet, Ludwig Schwenhagen e mesmo Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, autores que sempre achavam culturas de outros continentes para explicar as coisas.
Face da Gávea (Clique para ampliar a imagem)










Com relação aos incas não havia muito interesse provavelmente porque eram passado de povos “subdesenvolvidos”. Era mais bonito ler “Deuses Túmulos e Sábios” de C. W. Ceram e “A Bíblia tinha razão”.
Se houve, por aqui, interferência de culturas do velho mundo num passado mais remoto, é uma questão perfeitamente admissível. Mas nem tudo deve ser lançado a esse passado não muito claro. Por outro lado eventuais vestígios que possam ter subsistido nos últimos 500 anos em áreas rurais do Rio de Janeiro com certeza foram destruídos pela população sem ter a menor noção do que seriam. Os primeiros habitantes de origem européia que andaram por estes sertões com certeza nem sabiam ler, nem tinha a menor instrução para discernir nada,além de serem quase todos analfabetos e estarem totalmente isolados do mundo um pouco mais instruído. Ou alguém acha que seriam mestres em antropologia ou arqueologia? Muito vestígio importante deve ter sido perdido.Inclusive porque muitos fatos se perderam por falta de comunicação
Muitos anos depois com a retomada do orgulho e dignidade dos povos sul americanos a situação começou a mudar, e passou a haver maior interesse nas culturas autóctones.
O quadro do que nos vemos na Pedra da Gávea e diria também no Pão de Açúcar com sua Íbis, que não deve ser Íbis, se enquadra muito bem num determinado, período do estado incaico, a fase de expansão de1438 ate a queda de Atahualpa em 1533. Para ser mais exato deveríamos nos limitar ao fim do governo de Huayna Capac em 1525.É um período de menos de 100 anos.
No livro Ethnologia Brasileira (1888), Sílvio Romero refere-se a um machado de bronze, descoberto na Ilha da Ribeira, em São Paulo. O arqueólogo Luis Galdino no seu livro Os Incas no Brasil (2002), acredita que estes e incontáveis outros machados de cobre, bronze e prata descobertos de São Paulo ao Paraná, são de origem inca, cujo império teria estendido seus domínios ao Brasil antigo.Os incas usavam o machado tanto ceremonialmente como arma de guerra. Chefes usavam o de prata e ate de ouro,mas evidentemente não eram para lutar, especificamente.
Portanto já há bastantes desconfianças de que pode ter havido uma presença inca no Brasil ate na região sudeste. Também foi achada uma construção em cantaria de granito em Natividade da Serra, São Paulo que não pode ser identificada como colonial, infelizmente foi em parte destruída. Mas quem quiser ver as fotos pode entrar no site “Jornalismo Ciência e Cia do jornalista Julio Ottoboni. E na minha opinião de arquiteto pelo que pude ver nessas fotos a cantaria e o tipo de alvenaria que se vê se não for colonial,quase certamente e parecidíssima com métodos de culturas andinas.inclusive porque a mistura de duas técnicas de construção que se pode notar é encontrada em Machu Pichu.
Considero importantíssimo elucidar esse mistério. Seria um pucará incaico? Pucará era um tipo de unidade fortificada, administrativa e ceremonial que os incas estabeleciam nas frentes de avanço. E seguia mais ou menos um padrão que vinha instruído desde Cuzco, com as variações que o terreno exigia.
Geralmente ficava num morro mais ou menos isolado que era cercado inicialmente por um fosso com uns 4 m de largura e 3 de profundidade, depois muros que iam subindo deixando terraplenos naturais no meio deles podendo ter de 3 a 5 níveis. É evidente que um conjunto destes quando destruído pelo tempo, pelas raízes das árvores e a erosão se transformava em algo parecido a uma pirâmide.
Ollantay Tambo e a Face da Gávea (Clique para ampliar a imagem)






Acho importante fazer algumas observações sobre este fato. Nas primeiras noticias veiculadas sobre as ruínas de Natividade da Serra foi dito que era uma pirâmide. Isso já assustou muita gente séria. Depois varias pessoas de diferentes especialidades deram opiniões que não esclareceram nada e finalmente ninguém chegou a fazer escavações técnicas para concluir algo. As fotos que podemos ver são intrigantes Só se poderá concluir algo definitivo se forem feitas escavações.
“No centro ou no topo destas fortalezas existe uma plataforma ou tronco de pirâmide ceremonial com seu núcleo de aterro e revestida de pedra e cujo acesso se faz por uma rampa escalonada situada do lado sul”.Informação do Dr. Antonio Fresco, autor de “Pucaracuna Arquitectura Militar” (titulo equatoriano).
Faço esta referência porque pode dar alguma pista.
Se os incas chegaram ate o litoral de São Paulo nada os impediria de navegar em balsas a vela pelo litoral do Rio de Janeiro e inclusive seguir para o norte o que seria muito mais prático do que fazer mais marchas forçadas em território provavelmente hostil e difícil. Mas por enquanto seria apenas uma suposição.Natividade da serras esta pertíssimo do litoral entre Caraguatatuba e Ubatuba. Daí pelo mar chegar ao Rio de Janeiro é um pulo.
Para dar melhor idéia das cronologias,abaixo esta a lista dos soberanos incas e seu período de reinado aproximado.
O que me parece ate o momento, é que, a face na Pedra da Gávea é uma obra começada, mas não acabada, talvez o chamado Portal esteja no mesmo caso. Já a chamada Íbis (E claro que para muitos é mais charmoso atribuir tudo aos egípcios, da mais status que os incas. Não para mim), parece que a intenção teria sido deixá-la assim como esta. Provavelmente bastou fazer os buracos dando forma às patas da ave.
Caras monumentais na montanha são incas e pré-incas, portais monumentais esculpidos nos paredões das montanhas, são também incas e pré–incas. Pássaros monumentais esculpidos ou desenhados fazem parte de seu universo místico.
Machu Pichu tem a forma de um condor, ou assim foi considerado. Da mesma maneira que Cusco teria a forma de um puma. A representação de uma serpente também fazia parte desse universo místico.
A motivação para fazer estas obras gigantescas seria muito própria dos incas e das culturas pré incas. E com certeza no caso de que alguma expedição tenha chegado ate aqui não teria todos os recursos para fazer as coisas no mesmo padrão exercido no Peru. Estaria claro que não viriam artesãos e sim soldados que eventualmente teriam alguma experiência construtiva ou ate de trabalho em pedra,mas não seriam suas qualidades principais. Mesmo assim é muito mais provável do que viagens transoceânicas desde o Mediterrâneo. Inclusive porque as culturas mediterrâneas não faziam este tipo de obra.
A face na Pedra da Gávea poderia ser uma homenagem a Wiracocha, a divindade, não confundi-lo com o inca que adotou este nome que reinou entre 1400 e 1438. O pássaro no Pão de Açúcar poderia ser a representação da ave que o acompanhava que também representa o sol ou o principio criador, Inti. E eu não conheço totalmente o universo religioso inca para explicar mais.
Qual seria o porque da escolha do morro do Pão de Açúcar e da Pedra da Gávea para deixar estas quase esculturas?
Provavelmente porque metade do trabalho a natureza já o havia feito em ambos casos. Bastou fazer algumas depressões,literalmente cavidades. E seria uma forma de declarar a presença do estado incaico por aqui.Uma tomada de posse oficial.
A superfície do paredão no Pão de Açúcar onde esta a Íbis parece estar rasante com o nascimento do sol no dia 21 de junho, solstício de inverno. A superfície da face da Pedra da Gávea parece estar rasante com o nascimento do sol no dia 21 de dezembro, solstício de verão.
E digo “parece” porque ainda precisaria fazer observações exatas nesse dias específicos. Os buracos que formam as patas da Íbis e os olhos da face da Gávea são similares, são escavações arredondadas, seguidas. No caso dos olhos da Gávea nota-se que o olho direito dela e bem escavado mas há mais um buraco no fundo com se a escavação fosse seguir. já no olho esquerdo que é muito menor há dois pequenos buracos dando a idéia de que a escavação estaria começando. E todos estes buracos são arredondados, não são formados por fraturas da rocha que se desprenderam e que deixaram arestas vivas. Por outro lado se percebe uma economia de trabalho ao tentar dar a forma aproveitando um local favorável. É preciso levar em conta que em uma obra desse tamanho não é possível dar grande relevo, porque se assim fosse, para, por exemplo, fazer um nariz suficientemente definido teríamos que rebaixar tremendamente o resto da superfície circundante.No caso da Face da Pedra da Gávea observe-se que o paredão que vem desde a testa tangencia a ponta do nariz o que nos indica que essa era a superfície original do paredão que se prolongava desde o topo ate a barba.Para dar mais relevo a esse nariz haveria que escavar imensas superfícies a mais.E trabalhar nesse local inibe muitas possibilidades técnicas que eventualmente podem ser usadas no nível do chão. No dia 23 de outubro deste ano observei que com o sol das quatro da tarde(horário de verão) incidindo rente à face da Pedra da Gávea notavam-se no que seria a” bochecha” da face infinitas marcas de traços suaves verticais como feitos por talhadeiras, justamente na superfície que obrigatoriamente teria que ser desbastada par dar algum relevo ao nariz.Esta superfície é de cor mais clara que outras partes, assim como todas as partes aparentemente escavadas. Também concluo que esse nariz nunca foi maior do que o que esta lá.
O problema é que, o que estou dizendo só pode ser observado de perto e de baixo olhando desde a Carrasqueira. Seja quem forem os autores destas obras tiveram os mesmos problemas.
Para fazer estas figuras não seriam necessários muitos milhares de homens ainda que uma expedição deste tipo em território dos tamoios precisaria ser forte. Essas colunas militares incas eram acompanhadas ate por mulheres dos soldados. Esses soldados poderiam ser de varias etnias do altiplano e também parte deles eram civis convocados, a rigor era uma comunidade em marcha, e não devia ser menor do que 10.000 homens inicialmente.
Mas a tática inca não era de partir para a conquista violenta, de início. Chegavam de maneira pomposa e com efetivo que impressiona-se o adversário e com certeza ostentando vestes e apetrechos vistosos, além das armas. O comandante viria em uma liteira, em grande vestimenta. E com sons dos tuturutu(trompa feita de um caracol marinho) e Huancar(grandes tambores) além de vários tipos de flauta. Conclamava-se o adversário a aceitar unir-se e submeter-se ao estado incaico. Se aceita-se estava tudo resolvido, caso contrario partiam para usar argumentos mais contundentes como huaracas(fundas), chambis (macanas) e cunca cuchunas(machados) fora arcos, lanças e mais algumas coisas. Mesmo assim as vezes as coisas não davam certo porque o adversário também tinha fortes argumentos.
Pachacutec, o Sapa inca, pai de Amaru e Tupac pediu aos filhos que estendessem o império e se sabe que o fizeram em varias direções.Houve exércitos mobilizados,ate com 200 000 homens, segundo cronistas espanhóis.Esse numero me parece que já é exagero porque mobilizar 200 000 homens em terreno montanhoso é pouco eficiente. Tropas bem menores são mais manobráveis.
Se alguma coluna chegou aqui com certeza houve atritos ou ate violentas escaramuças. O pássaro do Pão de Açúcar esta na mesma área onde os portugueses 100 anos depois se sentiram protegidos..Isto não diz nada? O local era praticamente uma ilha. A Urca não existia como a vemos hoje.Para quem não sabe, Urca quer dizer Urbanizadora Carioca,que foi a empresa que ganhou a concessão em 1908 para aterrar essa área.
Quero frisar que tanto a Urca quanto a Pedra da Gávea eram dois locais defensáveis, sendo que a Pedra da Gávea no seu topo é uma verdadeira fortaleza natural. No caso do topo da Gávea, se alguém tenta-se subi-la com intenções agressivas, quem estivesse na defesa bastaria arremessar grandes pedras ladeira abaixo, e colocar pequenas guarnições em pontos chaves.
Todos sabemos os problemas que os portugueses enfrentaram com os tamoios e como acabou isso.No caso da hipótese da incursão inca, tudo teria acontecido algumas décadas antes de Cabral chegar ao Brasil. A situação deve ter sido similar a que os portugueses enfrentaram quando iniciaram seu estabelecimento por aqui,se de fato aconteceu. Existe uma versão de que a palavra carioca vem de “acari oca”, que é traduzida como” casa dos brancos”. Mas a palavra “acari “seria o nome que os tamoios davam aos portugueses por causa de suas armaduras que os faziam ficar parecidos ao peixe acari que chamavam de” cascudo”.
Portanto a rigor seria “casa dos cascudos”. Mas por coincidência os incas também usavam uma grossa malha de algodão muito eficiente como armadura, e para um tamoio nu, eles poderiam também parecer “cascudos”. Os portugueses também usaram esse tipo de proteção e posteriormente os bandeirantes.
A Pedra da Gávea é uma fortaleza natural com o local perfeito para fazer a cara em homenagem ao deus supremo dos incas, ainda que estivessem pressionados pelostamoios.Nesse lugar existem excelentes condições de defesa.
Entre a Pedra da Gávea e o Pico dos Quatro em direção ao mar há um vale semeado de plataformas e contenções feitas de pedra assim como trilhas empedradas que sobem ate uns 550 m em direção a ao topo. Sempre foram consideradas como obras coloniais, mas será que são? Ou foram aproveitadas posteriormente.Muitas estão soterradas inclusive por grandes desmoronamentos
Que foram usadas pelas fazendas coloniais é certo, mas foram feitas nessa ocasião ou já existiam?. Somente escavações poderiam dar certeza disto tudo.É um vale razoavelmente abrigado apesar de estar voltado par o oeste suas condições de defesa são bastante boas tem água e acesso ao topo da Pedra da Gávea e está a um passo do mar que seria fonte de pescado e alguns recursos mais. Esse local merece uma pesquisa. Pelo menos com o objetivo de levantar dados sobre as fazendas da área.
Essa dúvida de que se os restos ou as ruínas de algum caminho ou fundação de construção aqui no Brasil é colonial ou inca tem sido uma constante. Acontece com o chamado Peabirú. Acontece com as ruínas de Xique Xique do Igatu, acontece com as recentes ruínas em Natividade da Serra, e outras. Na realidade as técnicas de construção são parecidas.Não nas construções mais sofisticadas incaicas que são insuperáveis. Mas nas menos elaboradas há uma similitude que pode confundir a quem não é especialista.E para confundir mais as coisas as épocas de construção são próximas. É bom ter isso em mente.
Pelas áreas onde poderíamos supor que um invasor se instalou poderíamos aventar que não haveria grande domínio territorial e nem poderia haver. Pela falta de outras evidencia arquitetônicas ou culturais podemos presumir que essa ocupação durou pouco tempo. Como não há registro aparente desta presumida expedição inca poderíamos aventar a hipótese de que eles nunca voltaram a sua terra natal. Ou pelo menos se algum voltou achou melhor não dizer nada por receio ao castigo pelo fracasso. Ou então simplesmente por aqui ficaram e se misturaram ou foram exterminados. Haveria outra hipótese. Quando voltaram o estado inca, já não existia.
Não se deve esquecer que desde o ano de 1527, logo após a morte de Huayna Capac(que se diz que faleceu de varíola, porque já havia incursões dos espanhóis no norte da America do sul) aconteceu muita coisa que tumultuou e destruiu o estado incaico, guerra civil, invasão espanhola e a revolta de Manco Inca. Todos estes fatos devem ter paralisado e tumultuado qualquer estabelecimento incaico em pontos extremos do território e áreas em exploração. Isto deve ter causado seu abandono e decadência. E para ter uma cronologia paralela,lembremos que o Rio de Janeiro foi fundado em 1565.
E se algum grupo ficou em território brasileiro com o passar das gerações suas características devem ter ido adaptando-se as condições locais, ate mudarem radicalmente. Também é preciso lembrar que uma expedição inca era constituída de etnias que nem sempre eram do vale de Cuzco, ou do coração do império, onde as tradições seriam mais características de sua cultura. Poderíamos supor que uma expedição que penetrasse no território brasileiro na altura do Paraná poderia vir com grande proporção de gente de etnias do sul da Bolívia ou do Chile e que já estivessem integradas ao estado incaico, porque era assim que o exército era constituído na fase final de expansão.O núcleo de elite e o comando com certeza seriam da região de Cuzco.
E que fique bem claro que estou fazendo um exercício de imaginação com elementos reais mas que poderiam ser colocados nessa situação obedecendo a cronologia real e a possibilidades materiais reais. O que nos falta são dados históricos comprovados.E isso não quer dizer que eles não existam.Nos não os temos.
Essas colunas que por acaso tivessem penetrado em território brasileiro, poderiam ser menos disciplinadas culturalmente, sendo mais suscetíveis, no caso de interrupção do contato com a metrópole, de regredirem socialmente e politicamente a padrões similares aos habitantes locais,em poucos anos.
O fato e que os tamoios disseram que a Face da Gávea era a cabeça de um Deus, além de a chamarem de Cabeça Enfeitada.
O que sempre intrigou a todos os que estudaram o caso da Pedra da Gávea, é que não achavam relação com nada das culturas que aqui haviam existido.E para muitos tudo era apenas natural.E a primeira conclusão era e é de que quem a fez veio de fora. E temos 90 % de chance de estar certos. Onde a coisa se complica é de onde vieram seus executores. Resta mais uma análise a fazer. Se ninguém veio de fora e a face da Pedra da Gávea e a Íbis foram obras de comunidades locais teríamos que internar-nos num passado imemorial e nebuloso, onde não teríamos referencias,E nesse caso pouco podemos especular. Seria o caso de uma cultura megalítica.
Finalmente puxaram da manga a carta dos fenícios, ignorando totalmente qualquer contexto cultural religioso e lógico. Volto a dizer : Os fenícios teriam feito algo muito mais definido e teriam escrito bem claro se quisessem. Mas nunca fizeram nada disso na Fenícia, não era o perfil deles. E atribuir aqueles buracos na face leste da Pedra da Gávea, a eles, é insultar os inventores do alfabeto.
Aceito como grande probabilidade que os fenícios chegaram ate aqui, mas se aconteceu foi 2000 anos antes dos incas. E um rei fenício não tinha a aura tão divinizada quanto o próprio “filho do deus sol”, o inca, para querer fazer esculturas gigantescas em montanhas, por motivações religiosas.
Na realidade o Inca tinha muito mais poder do que qualquer rei fenício. Atahualpa disse para Pizarro :”- No meu reino não cai uma folha de árvore se eu não der ordem“. E ele se referia a 2 000 0000 de km 2. Não é preciso dizer mais nada, e Atahualpa já era um soberano em franca decadência, desgastado pela disputa com Huáscar. Mesmo assim quando ele deu ordem, foi trazido ouro ate da Colômbia, para pagar seu resgate. Já foram descritas estradas incas ate Roraima. Os tucanos contam que por um determinado caminho na terra deles passava um numeroso exército carregando caixas com objetos de ouro, para que o sol não se apaga-se (para que Atahualpa não fosse morto).
Para localizar as coisa que estamos imaginando seria preciso estar em um determinado contexto político, religioso e cultural.
Político: estar em um estado expansionista e extremamente autoritário, muito forte,e obediência cega às instituições do estado.A fase final do império incaico foi exatamente assim.
Religioso: fazer parte de uma religião com crenças muito fortes na própria divindade e direito divino do chefe de estado. Uma religião extremamente ligada às forças da natureza.
Cultural: as obras mencionadas estão em perfeita sintonia com antecedentes no estado incaico.O trabalho em granito em grande escala era brincadeira para as culturas andinas. A face de Tunupa em Ollanytatambo é um exemplo similar a face da Pedra da Gávea, tanto em tamanho, localização, como provavelmente em simbologia representando um personagem com barba, e inclusive sobre sua cabeça foi construído um pequeno templo.Portais imitando uma entrada montanha adentro são comuns nos Andes.
A lenda de Sumé dos tamoios é a mesma de Tunupa ou Wiracocha se bem que os missionários católicos sempre adaptavam as versões ouvidas e conscientemente ou inconscientemente as alteravam para ficar mais enquadradas nas crenças católicas e dai saia o São Tomé em vez de Sumé. Essa historia de São tome merece um pouco mais de reflexão.Os religiosos católicos mais uma vez deturparam a lenda indígena para justificar suas crenças e enfiá-las goela abaixo dos indígenas tanto aqui como no Peru e essa lenda provavelmente esta bastante deturpada.
Se diz que São Tome saiu pelo mundo pregando a palavra de Cristo e chegou a America onde ensinou aos indígenas muitas coisas.São Tomé já devia ter muito trabalho a fazer dentro do Império Romano. E se se aventura-se demais pela Ásia e America teria sido morto a pauladas na primeira virada de esquina. Ou ele andava com escolta? Por outro lado os indígenas americanos já sabiam fazer muita coisa muito antes de Cristo, inclusive conheciam a agricultura, provavelmente porque uns povos transmitiram aos outros. Só um ingênuo total pode presumir que incas e outra culturas andinas e indígenas brasileiros não tinham contatos. Esse é um ponto.
O outro ponto é que a lenda de Tunupa e Sumé é a mesma,com certeza, e tem uma origem comum ou foi transmitida nesses contatos.Se esta baseada em algum acontecimento real e onde aconteceu é um pouco difícil de presumir. Pode ter acontecido que algum povo mais adiantado chegou a estas costas do Atlântico ou do Pacifico e iniciou uma migração.Se eram fenícios, cartagineses ou extraterrestres,não entro no mérito da questão, nem posso. Mas algo deve ter acontecido.
Os caminhos chamados de Peabiru não tem nada a ver com São Tomé, com certeza. O mais provável é que são trilhas indígenas que eram viabilizadas pela lógica de achar o melhor trajeto entre os pontos de interesse É muito possível que algumas tenham sido pavimentadas na época colonial mas outras é possível que possam ser ate de origem incaica. E muito difícil determinar a origem exata a não ser por um super especialista no assunto. Vamos a colocar as coisas dentro de uma certa lógica, e sem medo.
Nosso humilde portal na Pedra da Gávea pode ser uma obra iniciada apenas com a retirada dos blocos iniciais, mas vai ao encontro da simbologia inca e pré–inca de entrar na mãe terra.E digo humilde porque parece que não houve tempo de sofisticá-lo. Desde que de fato tenha sido intencional fazê-lo, e que não tenha sido formado pela queda acidental de um bloco. Na verdade parece-me que seria muito difícil que um bloco,apesar de solto tivesse se projetado para o vazio, sozinho. Para acontecer isso o bloco teria que ter a maior parte em balanço sobre o vazio, e os outros blocos que estão ao seu lado não mostram essa característica.Ha outra observação a fazer. Os blocos laterais estão bem soldados ao topo onde há uma marquise gigante. Porque o bloco central que inclusive estaria parcialmente atritado contra os dois laterais caiu? Era o que menos poderia cair. E quer dizer que esse bloco estava solto em cima enquanto os outros não?
Vejo indícios muito fortes de intervenção humana, num inicio de trabalho para fazer um portal no estilo das culturas andinas. Mas para as duas fissuras que separam a parte do hipotético portal das duas imensas rochas laterais,não tenho explicação por agora.
Mas quando teria acontecido tudo isso?
Sendo um pouco mais ousado diria que isto só pode ter acontecido nos governos de Pachacutec e Tupac Inca Yupanqui, entre1438 e 1493. Amaru Inca Yupanqui só governou um ano porque Pachacutec seu pai o considerou muito fraco e como ainda detinha autoridade achou melhor substituí-lo pelo seu irmão Tupac Inca Yupanqui. Devemos lembrar que Amaru liderou uma expedição contra os guaranis,mas foi derrotado. Amaru Yupanqui era chamado de” o bondoso”. É evidentemente que esse tipo de qualidade não é apropriada para grandes conquistas. Essa expedição precisaria de maiores explicações. Sabe-se que houve lutas no oeste paraguaio, ou seja muito perto do Estado do Paraná.
De Tupac Inca Yupanqui sabe-se que cruzou a linha do equador duas vezes e chegou abaixo do trópico de Capricórnio, ate a cidade de Constitución, abaixo de Santiago quatro vezes, ou seja esteve abaixo da latitude do Rio de Janeiro, chega-se a contar que foi ate a Terra do Fogo. Sabe-se que mesmo não indo pessoalmente, as vezes, mandou expedições a outros locais. Foi executada uma campanha na floresta amazônica com as tropas divididas em três comandos coordenados e entregues aos seus dois irmãos Amaru Yupanqui e Chalco Yupanqui e ao general Otorongo Achachi. Houve expedições militares ao interior da floresta amazônica em que apenas 1000 homens voltaram. Foi ate executada uma operação anfíbia mobilizando 10 000 homens em balsas, nas vertentes do rio Amarumayo, já na selva amazônica. Houve expedições nas quais ninguém voltou. Alguns cronistas citam a Tupac Yupanqui como um Alexandre da America do sul, sempre curioso por ir mais longe.
Ainda príncipe, o inca Tupac Yupanqui, jovem com 25 anos, depois de conquistar o atual Equador desceu ate a costa e fez uma expedição marítima que chegou ate Mangareva na Polinésia e na volta passou pela ilha da Pasqua. Diz–se que levou um exercito com ele. Fala-se em 2 000 homens, alguns dizem que eram 20 000, mas seria demais, pois cada balsa poderia transportar no máximo 15 homens. Fala-se em 200 balsas. E se alguém duvida que os incas estiveram na ilha de Pasqua, veja a arquitetura do muro de Ahu Vinapu, não tem nenhuma diferença com a de Cusco ou Machu pichu, além de que os moai tem as clássica orelhas alongadas típicas das classes mais elevadas do estado incaico. E nas ilhas Novas Hébridas também havia esse costume.Em Mangareva ate hoje existe uma dança tradicional chamada “a dança do rei Tupa” que conta a historia do filho do sol que os visitou vindo do leste e para onde voltou, mas trouxe tecidos cerâmica e coisas que eles não conheciam. Quem escreveu um livro ultimamente sobre esta viagem foi o Dr. Antonio A. Del Busto, escritor peruano.
Mas esse impulso de conhecer e explorar dos incas chegou muito tarde porque menos de 100 anos depois, os espanhóis os estariam invadindo, e desmontando qualquer iniciativa.
Devemos lembrar que quando os incas encontravam populações excessivamente selvagens desistiam de integrá-las ao seu estado.
Vamos falar francamente, o estado incaico foi tão eficiente na America do sul quanto os romanos no Mediterrâneo e operavam da mesma maneira, para bem ou para mal. Eles também tiveram suas derrotas na “Floresta Negra”. Mas o que os derrotou de fato foi que quando os espanhóis chegaram encontraram o império dividido entre Atahualpa e Huascar, numa verdadeira guerra civil. E com ressentimentos tais que a múmia de Tupac Yupanqui foi queimada em Cuzco por partidários de Atahualpa.Tambem fizeram sua parte o sarampo e outras doenças trazidas pelos espanhóis, provavelmente incluindo sífilis de alta qualidade.
O ódio a Tupac Yupanqui se explica por ele ter sido o conquistador da região de Quito. Huáscar, o irmão por parte de pai de Atahualpa, foi mantido prisioneiro com uma corda amarrada a sua clavícula ate morrer. Atahualpa era filho de uma princesa de Quito e Huascar de uma de Cusco.
Athaualpa de bonzinho não tinha nada e se tivesse tido chance teria feito em pedaços a Francisco Pizzarro e seu grupo, que também,santos não eram.
Os espanhóis como todos os europeus viam o ouro como fonte de riqueza e poder. Os incas e as culturas andinas chamavam o ouro de”suor do sol”e o usavam como ornamento e material artístico, inclusive por ser muito maleável. Alguém disse que no império inca havia ruas calçadas com ouro e telhados de ouro. Não é verdade. Os telhados eram feitos de palha que ficava dourada quando vista de longe. Mas no Q’oricancha, o templo principal em Cusco certas paredes eram recobertas de prata ou ouro. Do lado de fora todo o perímetro do templo tinha no muro, um friso de ouro com 80 cm de largura. Dentro do templo havia um jardim com representação de plantas flores, aves,animais e ate árvores feitas de ouro e prata, alem de objetos em ouro e prata oferecidos pelos povos que faziam parte do império.Também havia a representação do deus sol, um disco de ouro maciço. Na realidade o que se conta sobre o ouro inca, e em parte deve ser verdade, é para deixar delirante a qualquer homem moderno. Pois se fala de tesouros que estariam escondidos em diversos lugares por ocasião da morte de Atahualpa, e que não caíram nas mãos dos espanhóis, entre eles o trono de Atahualpa todo em ouro.
E evidente que o grupo que veio com Pizarro não era o melhor que a Espanha tinha. E não devemos julgar a Espanha por eles. Alem disso por trás da Espanha estava o Vaticano, a fortíssima igreja católica e outros interesses com aos quais a Espanha tinha que conviver.
Podemos presumir que esta hipotética incursão inca a esta região deve ter durado poucos anos.
E nesse caso poderíamos dizer que a Face da Pedra da Gávea tem menos de 600 anos. O que estaria de acordo com a textura mais clara que vemos ali.em contraste com a cor do.resto da montanha, que com certeza já a forma básica há milhares de anos. Forma que pode ser natural, o que seria mais lógico ou ter sido parcialmente esculpida, hipótese pouco provável. Nesse último caso seria algo totalmente fora de nosso mais básico conhecimento, e não me arriscaria a fazer outras especulações, nem poderia.
Devemos lembrar também a possibilidade de que se os incas chegaram ate o litoral de São Paulo, Santa Catarina ou Paraná, a partir daí poderiam navegar par o norte em balsas com vela que eles sabiam usar muito bem. O que eu não poderia especular é qual o tipo de madeira que poderiam usar aqui pois a madeira melhor para suas balsas era obtida nas florestas do norte do Peru
Atribuir as obras a que nos referimos a culturas antediluvianas ou a Atlântida é uma aberração e falta de discernimento lógico. Se houve alguma intervenção anterior, e pode ter havido. Não posso nem tentar entrar no mérito dessa questão porque não tenho como, ver indícios claros, pelo menos a flor da terra. Só estou tentando achar um contexto lógico e possível para a Pedra da Gávea e por similitude e proximidade também à “Íbis” do Pão de Açúcar.Não posso envolver na questão o chamado” Índio do Corcovado”por não ter pesquisado o assunto em campo.
E ainda temos os que atribuem tudo a extraterrestres que teriam feito tudo com raios laser. Ou ainda dizer que os extraterrestres teriam uma base dentro da Pedra da Gávea. Os extraterrestres não precisam da Pedra da Gávea nem de base dentro dela, eles devem ter seus problemas, como nos temos os nossos, e devem ter muito que fazer. Alem de coisas mais interessantes onde aplicar sua tecnologia. Desde que eles existam.
Se perguntarão de onde tirei essa hipótese.Baseado em que ?
Tudo o que eu disse esta baseado em 47 anos de observações no local e 443 subidas à Pedra da Gávea, mas mesmo assim não poderia ser categórico, sem pesquisas que comprovem os fatos.Somente escavações bem direcionadas vão responder categoricamente.
O toque engraçado disso tudo e que muitos anos atrás dois montanhistas disseram ter visto ou ter tido a visão de que subindo de noite na Pedra da Gávea teriam sido perseguidos por um índio diferente que parecia um inca. Quem sabe, eles estavam certos…
Se a premissa de uma origem incaica para os monumentos citados for aceita. Será mais fácil determinar que tipo de pesquisas em campo deverão ser feitas.E nesse caso o topo da cabeça do imperador deveria ser pesquisado. pois se o local foi freqüentado por eles devem estar enterradas as três pedras em forma cônica dispostas em forma piramidal que eram colocadas nos topos das montanhas importantes para eles geralmente numa plataforma mais ou menos aplainada, e que tinham uma grande simbologia,tanto política como religiosa.
E considerando tudo que analisei poderia levantar a hipótese que de fato tenha havido uma incursão provavelmente incaica por esta região assim como por outras próximas sempre em busca de ouro, que para eles era metal sagrado. Como não acharam nada aqui,não permaneceram. E possivelmente isso aconteceu no fim do estado incaico, não podendo haver continuidade. Devem existir ruínas de pontos de passagem e fortificações(pucarás) em alguns lugares ainda não identificados, como é o caso de lugares no estado de São Paulo.
Essas pucarás existem em quantidade no Equador, no Chile e na Argentina e são perfeitamente identificadas porque lá já existe a cultura e a certeza de que são de fato de origem inca. O problema é que no Brasil não há nem pesquisa voltada para esse assunto e uma ruína desse tipo é atribuída a construções coloniais, sem mais análises e muito menos pesquisas ou então são solenemente ignoradas como o caso de Natividade da Serra.
Parece uma hipótese viável e espero que inspire discussões e pesquisas.E se minhas observações não servirem para nada. Sugiro que alguém escreva um romance, porque acredito ter dado um bom argumento, e poderá dar uma narrativa interessante. E reivindico o direito de sugerir o nome:
“A Face de Wiracocha “. Que tal?
Poderia ate dar um filme bem melhor do que os que foram feitos sobre a Pedra da Gávea, ate agora.
Creio que devo fazer mais uma reflexão. Tudo o que especulei acima pode estar errado. Mas não consigo achar dentro de um raciocínio lógico e razoavelmente realista hipóteses mais apropriadas. Todas as outras que aventei não tem um mínimo de dados nem para fazer especulações. Mas as reflexões e pesquisas devem continuar ate a verdade sair a tona.
Arquiteto Carlos Perez Gomar
Outubro 2011
Fontes:
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http://piramidal.net/2011/11/05/a-falsificacao-da-historia-da-pedra
-da-gavea-e-porque-badezir-nao-faz-parte-dela/
http://piramidal.net/2011/10/19/a-possibilidade-inca-e-a-pedra-da-gavea/
Sejam felizes todos os seres. Vivam em paz todos os seres. 
Sejam abençoados todos os seres.

Um comentário:

Unknown disse...

Caro Carlos:

Concordo com quase tudo o que você disse em sua matéria. Infelizmente, os governantes do nosso país não dão apoio necessário às pesquisas que seriam fundamentais para que soubéssemos um pouco mais sobre as nossas verdadeiras origens e sobre as influências culturais que se fizeram presentes aqui em nosso país desde épocas remotas.

Quer dizer a você que sempre gostei de pesquisas, principalmente na área de arqueologia e antropologia, entretanto, gostaria de te dizer que não sou formado em tais áreas, mas investidos as mesmas a cerca de 40 anos de minha vida dedicando-me, em particular, aos grandes mistérios que cercam o planeta Terra e a história do homem sobre a superfície do mesmo.

Gostaria que você soubesse que eu estive pessoalmente na Pedra da Gávea, pelos menos, umas 20 vezes em busca de evidências. Evidências que pudessem me ajudar a montar o quebra-cabeça e encerrar de vez as especulações existentes sobre os seus mistérios. Assim sendo, em uma das vezes que ali estive, em janeiro 1981, eu tive a sorte e o raro previlégio de encontrar alguns subsídios reveladores quanto ao sítio onde a mesma rocha se encontra e garanto-lhe que tive em minhas mãos argumentos mais que contundentes sobre quem ali esteve muito antes da descoberta do Brasil.

Confesso a você que tive em minha mãos material que eu encontrei, não nas imediações do rosto e muito menos perto das inscrições ali inseridas no paredão, mas, sim, encontrado em outras imediações do sítio, atrás do rosto e mais abaixo deste, tomando o devido cuidado de embala-las para não quebrarem devido às suas fragilidades. Tenho a absoluta certeza que eram escritas de origem fenícia devidos às características. Eram pequenas tábuas de pedras polidas duras, mas não eram feitas de granito, mas sim, creio, de basalto escuro.

Recolhi o material e, então, desci morro abaixo e, para minha surpresa, fui interceptado por 1 oficial da Guarda Florestal e dois Policiais Militares e um sujeito que se identificou dizendo que era do "Patrimônio Nacional". Me pediram para acompanhá-los até a delegacia mais próxima, ou seja, até a Barra da Tijuca e para lá fomos. Já na delegacia, o sujeito que se identificou como sendo do Patrimônio Nacional juntamente com o Delegado de Polícia, além de me intimidarem, exigiram que eu entregasse imediatamente o que eu havia recolhido no morro. Fiquei intrigado com aquilo, mas como nós ainda estávamos sob o efeito da ditadura, não havia outro jeito senão em obedecer devido às consequências e, assim, tive que entregar.

Ate hoje, caro Carlos, penso naquilo, e te digo com todas as letras de acordo com o que eu procurei saber à respeito do tipo de inscrições que eu vi com os meus próprios olhos: Trata-se sim, de inscrições fenícias comprovando que tal povo esteve aqui no Rio de Janeiro. Talvez você no irá acreditar em minhas palavras, mas dou-lhe a minha palavra sobre tudo o que acabo de relatar a você, pois tenho 65 anos de idade e jamais iria faltar-lhe com o respeito mentindo. Não tenho idade para isso. E ratifico que tudo que eu comentei aqui é verdade.